O MORTAL COMBATE NA CAPELA DE D’APENA
Em um dos precários e terrivelmente quentes alojamentos da nossa Capela, travou-se, pela primeira vez desde o início das obras anuais, o sinistro combate entre aprendizes. Os quatro dias de descanso, em que os aprendizes se viam livres para fazer o que bem quisessem, acarretaram num ruído na comunicação (problema o qual, o lendário guerreiro Eriveltum Sávius já nos havia alertado desde o princípio), que foi o motivo do entrave.
Fomentados pelo desesperado desejo de aniquilar o tédio e de escapar da realidade de provações constantes, os aprendizes telespectadores assistiam com grande entusiasmo a batalhe entre Lavoska de Grandes Nádegas e Brunisa, a japonesa da Coreia, que acabara de chegar em nossa equipe. Oh, sim! Dessa vez, por incrível que pareça, foi a ala feminina que estava transbordando adrenalina pelo santuário da Capela. E que coincidência! O embate mulheril fora travado bem no meio dos ensinamentos sibilantes de Nataja do Barro, a guerreira feminista.
Fazendo uso da arma mais poderosa dos aprendizes, o argumentuns, as combatentes rosnavam com furor e atiravam impropérios disfarçados uma contra a outra. Efusivos, os demais aprendizes presenciavam o embate com olhos e ouvidos atentos, a espera de um “Grand Finale”.
Mas, só para acabar com a expectativa de todos, Nataja de Barro fez sessar (apenas por hora, para nossa alegria) a guerra. Porém já era tarde demais. Lavoska de Grandes Nádegas sucumbiu à tensão do momento e esvaziou-se de gotas salgadas que encharcavam seus olhos, enquanto Brunisa, a japonesa da Coreia, permanecia gélida e intocável.
Alguns aprendizes tomaram partido, outros preferiram a abstenção. Mas, se todos achavam que havia acabado por aí, estavam impreterivelmente enganados. Graças a poderosa arma que a cavaleira Nataja de Barros nos abrigou a domar, o famigerado infortúnio social: “Cara de livro”, a batalha continuou, com estratégias pueris. Dias depois, na aula de treinamento físico, ainda estava evidente o clima de tensão. Em times opostos, Lavoska de Grandes Nádegas e Brunisa, a japonesa da Coreia travaram colisões corporais, que alimentavam reminiscência da “quarta do terror”.
E agora? Como terminará essa guerra letárgica? Será que alguém mais se envolverá? Quem declarará inapetência primeiro? Como terminará o combate? Haverá outras batalhas? Será que vou eu parar de fazer perguntas?
Bem, por hoje é só – ainda preciso conhecer o mais profundo interior dos ácidos nucleicos.